terça-feira, 23 de junho de 2015
Nós podemos muito
Muitos religiosos do mundo dizem crer, porém vivem como ateus. Acham que Deus nos fez imortais em Espírito e Verdade e, depois, tirou férias. Irrefletidamente, desesperam-se por automatismo, sem anotarem a influência dos vícios que se tornam hábitos. Saibam, pois, meus irmãos, que as dores muito me têm ensinado. Ciente de minhas enormes carências, agradeço aos Céus cada dificuldade vivida. Sem elas, eu teria andado pouco, quase nada. Sejam bons com vocês mesmos. Culpem-se menos. O Criador não governa os mundos do Infinito como se fosse um agiota cruel que cobra juros com correção monetária. A Justiça Divina também não é um sistema bancário. A inteligência Suprema do universo não precisa fazer contas. Se você errou ontem, repara agora ou espere momento oportuno. A hora certa virá. Repita com Simão Pedro, o humilde apóstolo, as palavras de Jesus: "o amor cobre uma multidão de pecados". Permita que as Esferas luminosas ajam em sua vida. Filho de Deus não fica órfão.Arruma, com a misericórdia do Senhor, o seu "templo interno abandonado". De mansinho, ouça a voz da Caridade falar aos seus ouvidos. As angústias que lhe cercam são tormentas passageiras. O poder delas é relativo. Só o Todo-Poderoso é absoluto. Una-se, então, a Ele.
E não tente enquadrá-Lo nos seus pensamentos, porque o Eterno Amor encontra-se sempre além, apenas, sinta-O nas batidas serenas do seu coração. Você tem um Pai, que lhe procura apaixonadamente, como "fogo consumidor", enviando sinais de todos os lados. Desperta! Vem para vida, porque o Reino Divino, sem a sua presença, não estará completo. O Cristo precisa de trabalhadores. Não é necessário fazer muito. Comece tão-somente. Enxugue, se puder, a primeira lágrima que rolar a sua frente. E se essa lágrima for a sua, seja caridoso consigo mesmo.
Uma carta para você:
Um dia, perguntaram ao poeta Guimarães Rosa o que era misericórdia, e ele, com notável sensibilidade artística, respondeu assim: "é o mesmo que pôr o coração nas misérias do próximo". Neste instante, não posso dimensionar o tamanho de sua dor, porque o sofrimento, em questão, angustia o seu peito, e não o meu. O que, para mim, pode parecer pouco; aos seus olhos, apresenta-se como imensa tempestade. E o mesmo ocorre no contrário. Certamente, há obstáculos na minha estrada evolutiva que você já superou. Cada Espírito traz consigo uma história única e inimitável. A mensagem que lhe trago, hoje, é, sobretudo, de esperança e misericórdia, pois embora eu não dimensione a sua dor, o meu coração aprendeu a estar do seu lado.
Quando somos assediados pelas armadilhas das sombras, o primeiro passo, na estratégia da obsessão, é dado no sentido de enfraquecer a nossa fé e de cortar a sintonia da alma encarnada com as entidades que trabalham a serviço do Cristo. Em todos os âmbitos, através de sugestões e experiências vividas, o mal nos diz, minando nossas forças, que Jesus não é "o Caminho, a Verdade e a Vida". Hoje, numa palestra, no Centro Espírita André Luiz, enxerguei, claramente, este cenário na tela do meu coração. Saiba, minha irmã, que as vozes sublimes do mundo espiritual continuam a nos confirmar: não existe mal, neste mundo, que o Mestre dos mestres não conheça o remédio.
Há poucos dias, um homem, muito educado, ao me ouvir desabafar, recomendou-me: “Não pergunte mais o porquê das provas e expiações, mas para quê?” A causa nos será revelado no tempo oportuno; no entanto, o ponto principal do problema encontra-se em sua finalidade providencial. Nenhuma criatura sofre na Terra sem o conhecimento de Deus. Ele é a inteligência diretora da vida. Força alguma, nas atividades do medo, pode mais, por exemplo, do que um preto-velho. No Espaço, alça voos maiores aqueles que amam. Os Espíritos do Senhor, “como estrelas cadentes”, chegam à atmosfera do planeta e chamam as almas, em aflição, para leira do amor, o campo divino onde construiremos a obra de Deus em nós mesmos.
Confia, então, uma pouco mais. Você não está sozinha. Nada é 100% ruim. Se fosse, Deus não permitiria que enfrentássemos certas dificuldades.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
" Se eu tivesse 1 milhão de reais..."
Era aquela a décima consulta com o psicanalista. Jorge estava agitado. Tinha muitas dívidas. Atento à angústia do paciente, o médico lhe disse: – Não sofra por antecipação. Você trabalha e tem condições de pagar o que deve.
Ao ouvir a recomendação sensata, ele coçou a cabeça, afrouxou a gravata e, em sintomática crise de ansiedade, revelou o grande sonho de sua vida: – Sabe, doutor, se eu tivesse, neste momento, 1 milhão de reais, nunca mais teria problemas.
Dr. Rafael refletiu sobre a declaração e, fraternalmente, trouxe à baila casos elucidativos:
– Meu caro, se você quiser, posso lhe apresentar uma lista de, pelo menos, 20 pacientes meus que possuem fortunas muito superiores à citada. São pessoas que podem frequentar os melhores restaurantes do mundo, contudo não têm mais a alegria de saborear um prato.
– Meu caro, se você quiser, posso lhe apresentar uma lista de, pelo menos, 20 pacientes meus que possuem fortunas muito superiores à citada. São pessoas que podem frequentar os melhores restaurantes do mundo, contudo não têm mais a alegria de saborear um prato.
– Gente que tem condições de comprar roupas de grifes internacionais, todavia não possuem, há tempos, o prazer de se vestir.
– Empresários que vivem em mansões, porém não conseguem construir um lar.
– Magnatas que viajam o mundo, mas perderam a capacidade de observar a vida.
– Seres humanos que têm filhos, entretanto já não sabem o valor de um abraço.
O homem calou-se por dentro. A narrativa terapêutica silenciou os ruídos íntimos que o desesperavam. Ele, sem palavras, agradeceu com o olhar e refez os próprios sonhos no desenrolar de 1 segundo – isto mesmo: 1 segundo de reflexão deu-lhe o discernimento que todo o dinheiro conquistado já mais foi capaz de lhe dar.
Jorge foi para casa, vestiu a roupa mais simples de seu armário; viu-se bonito à frente do espelho; sentou-se à mesa; saboreou como nunca o tempero da mulher; sentiu no peito a felicidade de ter uma família; abraçou, demoradamente, os filhos, dizendo: “eu amo vocês” e, na companhia de todos, foi passear na praça a fim de contemplar o céu estrelado e, na paisagem celeste, encontrar, em si mesmo, o Criador na obra da criação.
O amor do amor se nutre
Certa mulher aproximou-se de uma alma muita caridosa que doava alimentos e palavras de conforto nas periferias de Minas Gerais. Triste, com o seu casamento quase esfacelado, ela abriu a boca para revelar as angústias do coração. Em palavras desencontradas, queixou-se de tudo – do esposo, dos filhos e também da vida. Muito atento, o querido amigo tocou-lhe as mãos, com acentuado movimento de ternura, e falou mansamente:
– Minha irmã, aprenda a nutrir-se do amor com que você ama a Deus e os seus semelhantes. É o amor que cultivamos, em nós mesmos, que nos sustenta. Através dele, dilatamos as nossas potencialidades divinas e tornamo-nos, na Terra, veículos do sentimento da Eterna Bondade. Agora, se o homem espera receber para doar, torna-se, em verdade, um pedinte espiritual e corre grandes riscos de passar sede e fome no terreno das mais puras emoções. Há alguns anos, eu, particularmente, sofria demais com a indiferença alheia e as injustiças do mundo; hoje, porém, aprendi a suportar as dores do caminho sem murmurar. Percebi que, enquanto me dirigia aos Céus com o meu quinhão de lágrimas, a espiritualidade superior, ao passo que me trazia o lenço da consolação, suplicava por mãos generosas em que pudessem depositar a confiança do trabalho na seara do bem.
O silêncio meditativo, então, como terapêutica das inteligências do invisível, permitiu que as doces arguições do simples orador penetrasse a “cripta secreta do coração” daquela mulher, antes aturdida no báratro das inquietações familiares. Percebendo a ação benfazeja do seu verbo de amor, o homem retornou ao serviço de cooperação e ouviu ressoar na acústica da alma o pedido enobrecedor: – Como faço para ajudá-lo nesta atividade de amparo ao próximo?
– Minha irmã, aprenda a nutrir-se do amor com que você ama a Deus e os seus semelhantes. É o amor que cultivamos, em nós mesmos, que nos sustenta. Através dele, dilatamos as nossas potencialidades divinas e tornamo-nos, na Terra, veículos do sentimento da Eterna Bondade. Agora, se o homem espera receber para doar, torna-se, em verdade, um pedinte espiritual e corre grandes riscos de passar sede e fome no terreno das mais puras emoções. Há alguns anos, eu, particularmente, sofria demais com a indiferença alheia e as injustiças do mundo; hoje, porém, aprendi a suportar as dores do caminho sem murmurar. Percebi que, enquanto me dirigia aos Céus com o meu quinhão de lágrimas, a espiritualidade superior, ao passo que me trazia o lenço da consolação, suplicava por mãos generosas em que pudessem depositar a confiança do trabalho na seara do bem.
O silêncio meditativo, então, como terapêutica das inteligências do invisível, permitiu que as doces arguições do simples orador penetrasse a “cripta secreta do coração” daquela mulher, antes aturdida no báratro das inquietações familiares. Percebendo a ação benfazeja do seu verbo de amor, o homem retornou ao serviço de cooperação e ouviu ressoar na acústica da alma o pedido enobrecedor: – Como faço para ajudá-lo nesta atividade de amparo ao próximo?
A necessidade da exemplificação
Há algumas décadas, surgiu na América um guru que incentivava os seus discípulos à pratica do suicídio como forma de alcançar o “paraíso”. Fora de si, essas pessoas “orientadas” seguiram a cartilha de seu guia e modelo: desistiram, então, da experiência terrena, retornando ao mundo espiritual na posição de suicidas. Após a catarse, certos curiosos, perplexos, perguntaram ao “religioso” o motivo dele não fazer o mesmo, a reposta foi sintética: – Alguém precisa ficar aqui (na Terra) para orientar. Esse caso é extremo, porém serve como referência à análise.
É fundamental ter muito cuidado com esses falsos líderes que se arvoram em representantes de Deus, ministros da fé e, no intuito de dar validade à ideias doentias, violentam consciências, insufladas por fantasias, incompatíveis com a infinita bondade do Senhor.
A vida é cheia de turbulências, e diversos sacerdotes (em grande parte das religiões!) reconhecem esse cenário de dor e aproveitam-se do sofrimento alheio para obter vantagens, fazer promessas injustificáveis e disseminar o medo. No século XXI, não deveríamos mais cair em tais armadilhas. Independente da religião particular de cada um, os homens já possuem suficiente repositório de informações espirituais para guiá-los no caminho do bem.
Com a experiência da cruz, o Cristo – no templo da Natureza, em meio aos necessitados de toda ordem – ensinou à Humanidade que, nas derrotas da vida, encontram-se as lições mais preciosas para o Espírito imortal. Vezes múltiplas, consideramo-nos fracassados, mas espiritualmente estamos ganhando, construindo “por dentro”. Nisto, reside o processo de educação do sentimento – o maior patrimônio da alma.
Por hábito, temos nos acostumado com líderes religiosos que mandam fazer e apontam o dedo em certa direção, contudo se observarmos a vida deles, veremos o caos: são personalidades que pregam uma coisa, e vivem outra. Num exame, com carinho e certa dose de razão, concluiríamos, prudentemente, em seguida: “eu não quero tanta hipocrisia, angústia, conflitos e inimigos para mim. Chega de tomar tóxico intelectual como se fosse mel”.
Sem dogmatismo, ao olharmos o exemplo de Jesus, veremos que ele jamais mandou ninguém fazer nada, antes de ir à frente para mostrar o caminho. No Monte das Oliveiras, quando Pedro empunhou a arma para defendê-lo, cortando, assim, a orelha do soldado romano, o Divino Amigo orientou-lhe: “Simão, embainha a tua espada”.
Para aqueles que se dizem seguidores de Jesus é, no mínimo razoável, o esforço para transformar o Evangelho em livro da vida e pô-lo em prática. O Cristo é um libertador de consciências, ao lado dele, aprenderemos, todos os dias, o prazer de servir, a alegria de ter amigos, as bênçãos do amor, as luzes da humildade, a paz da mansidão, a recompensa íntima da brandura e o júbilo eterno de se pagar o mal com o bem.
É fundamental ter muito cuidado com esses falsos líderes que se arvoram em representantes de Deus, ministros da fé e, no intuito de dar validade à ideias doentias, violentam consciências, insufladas por fantasias, incompatíveis com a infinita bondade do Senhor.
A vida é cheia de turbulências, e diversos sacerdotes (em grande parte das religiões!) reconhecem esse cenário de dor e aproveitam-se do sofrimento alheio para obter vantagens, fazer promessas injustificáveis e disseminar o medo. No século XXI, não deveríamos mais cair em tais armadilhas. Independente da religião particular de cada um, os homens já possuem suficiente repositório de informações espirituais para guiá-los no caminho do bem.
Com a experiência da cruz, o Cristo – no templo da Natureza, em meio aos necessitados de toda ordem – ensinou à Humanidade que, nas derrotas da vida, encontram-se as lições mais preciosas para o Espírito imortal. Vezes múltiplas, consideramo-nos fracassados, mas espiritualmente estamos ganhando, construindo “por dentro”. Nisto, reside o processo de educação do sentimento – o maior patrimônio da alma.
Por hábito, temos nos acostumado com líderes religiosos que mandam fazer e apontam o dedo em certa direção, contudo se observarmos a vida deles, veremos o caos: são personalidades que pregam uma coisa, e vivem outra. Num exame, com carinho e certa dose de razão, concluiríamos, prudentemente, em seguida: “eu não quero tanta hipocrisia, angústia, conflitos e inimigos para mim. Chega de tomar tóxico intelectual como se fosse mel”.
Sem dogmatismo, ao olharmos o exemplo de Jesus, veremos que ele jamais mandou ninguém fazer nada, antes de ir à frente para mostrar o caminho. No Monte das Oliveiras, quando Pedro empunhou a arma para defendê-lo, cortando, assim, a orelha do soldado romano, o Divino Amigo orientou-lhe: “Simão, embainha a tua espada”.
Para aqueles que se dizem seguidores de Jesus é, no mínimo razoável, o esforço para transformar o Evangelho em livro da vida e pô-lo em prática. O Cristo é um libertador de consciências, ao lado dele, aprenderemos, todos os dias, o prazer de servir, a alegria de ter amigos, as bênçãos do amor, as luzes da humildade, a paz da mansidão, a recompensa íntima da brandura e o júbilo eterno de se pagar o mal com o bem.
Religião, ciência, espiritualidade e materialismo...
Enquanto muitos gritam "meu Deus", Jesus – sem fundar religiões – nos ensinou o "Pai Nosso". Alheio à lei de solidariedade que rege todos os fenômenos da vida: dos seres microscópicos ao movimento das mais belas galáxias, o homem, até hoje, tenta entrincheirar Deus nos limites de um livro, de tribos e templos. Vivemos egoisticamente como se fôssemos privilegiados perante o Todo-Sábio. Adoramos ser "os eleitos", "os escolhidos", "os ungidos", mesmo, ainda preguiçosos, para carregar um brilho de amor no coração. Por agirmos assim, louvando a Deus dentro de construções de pedras, e ignorando-O nas ruas, temos "naufragado mil vezes".
Em nome do Cristo e de outros, já produzimos guerras, fome e doenças. Há gente empunhando armas, “a mando de Deus”, como se pudessem agradá-Lo, importunando a Sua magnífica obra. Daí, nas palavras indignadas de Charlie Chaplin "um homem que mata outro homem é um assassino, mas o que mata uma multidão é considerado herói". Deve ter algo de errado nisso, não na primeira oração, mas na segunda... Tem sempre uma massa chorando, e alguém vendendo lenço. O ódio, o preconceito e o desejo de vingança estão cercados de interesses escusos. Se a brutalidade social, financeira e política fosse ruim para todo mundo, o terror já teria acabado. Logo, é verossímil pensar que há gente se regozijando com o sofrimento alheio.
O materialismo invadiu os sistemas econômico, educacional e também as religiões. A Humanidade, por acreditar, séculos e séculos, nele criou um modelo cruel de sociedade. A ciência e a religião se afastaram como se ambas fossem forças contrárias. Nos templos, surgiram fanáticos que para defender leituras fundamentalistas contrariam, até agora, as Leis da Natureza, alimentando mistificações; por outro lado, nos laboratórios, os cientistas, em vez de se reconhecerem como reveladores das leis naturais, intitularam-se, cheios de soberba, em filhos do “acaso” – o mesmo que manteve “o equilíbrio da nebulosa terrestre, destacada do núcleo do Sistema Solar, conferindo-lhe um conjunto de leis matemáticas, dentro das quais se iam manifestar todos os fenômenos inteligentes e harmônicos de sua vida, por milênios e milênios” (Emmanuel, em A Caminho da Luz). Ou seja, um efeito de incomensurável sabedoria produzido pelo “nada”.
Os cientistas são, em verdade, “sacerdotes do Espírito”, mesmo à revelia, trabalham para o Criador. Obedecendo à Lei de Progresso, missionários da Física, da Astronomia, da Química, da Paleontologia e de tantas outras áreas encarnam no planeta a fim de contribuírem para a evolução do pensamento intelectual e da compreensão dos mecanismos que regem a vida orgânica. Mas, a ciência não tem a última palavra, ela avança conforme as suas possibilidades no tempo e no espaço. Nenhuma revelação vem antes da hora, porque sabem as inteligências diretoras do nosso orbe, que um foco de luz intenso pode cegar, ainda mais, as crianças espirituais que somos.
Todavia, hoje já é possível perguntar aos que se intitulam materialistas: de que matéria você está falando? Como diz Emmanuel, “o materialismo se esvai por falta de matéria”. Niels Bohr, Max Planck, Heisenberg – patriarcas da Física Quântica – através de seus experimentos, observaram um átomo de hidrogênio com o seu núcleo e um elétron girando em torno dele. Viram, então, algo como uma bolinha de gude colocada no centro do gramado do Maracanã, representando o núcleo, e um grão de poeira na cadeira mais distante, sinalizando os movimentos do elétron. Desta forma, concluíram que existe mais espaço do que matéria "sólida".
Neste cenário, no início do século XX, Einstein briga com a Física Quântica por rejeitar a Teoria do Éter ao considerá-la "mágica". Apesar das dissensões, ambas as correntes passam a trabalhar, mesmo a contragosto, em sistema de cooperação. Einstein, a seu turno, dá prosseguimento à descoberta de Maxwell e diz que luz é matéria, uma vez que, nela, identifica massa – corpúsculos que o gênio chamou de fótons. E as ondas eletromagnéticas? Bem, são responsáveis por conduzir esses corpúsculos. Muitos físicos clássicos se abismaram: como alguma coisa pode ser onda e matéria ao mesmo tempo? Fizeram uma experiência e comprovaram.
Vem, pois, Max Planck e diz, aprimorando o raciocínio de Einstein: “Se luz é matéria, matéria também é luz”; isto é, da mesma forma que ondas eletromagnéticas se comportam como matéria, átomos também se comportam como ondas. Einstein não aceitou.
Niels Bohr fez, então, a seguinte experiência: preparou um anteparo e nele jogou elétrons. E, assim, pensou - "nos lugares onde houver buracos, os elétrons vão passar, onde não houver, eles vão bater e voltar". O que aconteceu? Todos passaram. O elétron se comportou como onda. Alguém, em seguida, teve a ideia de retirar o anteparo e fazer um elétron se chocar com outro. E aí, ele se comportou não mais como onda, e sim, como partícula. O elétron é matéria ou energia?
O elétron é, ao mesmo tempo, partícula e onda. A natureza dual da matéria. Quando se coloca um desafio de partícula, ele vira partícula; se é colocado um desafio de onda, ele vira onda. Mas, suponhamos que ninguém olhe ou imponha desafios ao elétron, o que aconteceria? Os cientistas intuíram que o comportamento do elétron dependeria da observação; ou seja, aquilo que era tido como absolutamente objetivo passou a depender do ponto de vista do observador. Quem vê interfere no objeto observado e pode ver, inclusive, aquilo que quiser. A Física Quântica chegava no "pedi e obtereis", "buscai e achareis", "batei e abrir-se-vos-á" ( Jesus).
Einstein, depois, cria a equação basilar da Teoria da Relatividade: Energia=matéria. No plano material, pensava-se que a velocidade da luz era a mais rápida condutora de partículas, todavia, na realidade do átomo, a Teoria da Relatividade não funciona. Heisenberg descobre, adiante, que se tentasse medir a velocidade do elétron, ele não conseguiria saber onde o elétron está, e se tentasse saber onde o elétron está, ele não conseguiria saber a velocidade do mesmo. A trajetória do elétron é, até agora, indecifrável. Nasce, portanto, o Princípio da Incerteza. Einstein não aceita e, pela sua visão de um Deus do século XIX, diz que o Criador não joga dados com o universo e afirma que, se o Princípio da Incerteza estivesse certo, a informação seria transmitida milhões de vezes acima da velocidade da luz, contrariando a nossa ideia de espaço. Em verdade, a Teoria da Relatividade explicava a gravidade, mas não explicava nada sobre o átomo.
Em 1982, tentam fazer o “emanharamento quântico” – unir dois elétrons. Quando um elétron gira para direita, o outro gira para esquerda. Se um muda a sua posição de giro, o outro muda também. Na trajetória, eles se encontram. Como um elétron fica sabendo da mudança do outro? A luz, por exemplo, demora algum tempo para chegar em Siriús, levando-se em conta sua trajetória e distância. O elétron não. Se estiver conectado com outro, qualquer mudança, aqui, repercute no outro em Siriús. Conexão que não respeita espaço. Na Física, recebeu o nome de "conexão não local", feita numa velocidade bilhões de vezes maior do que a da luz. Solidariedade é, portanto, uma lei da Física. Como Deus seria Onisciente e Onipresente se houvesse espaço para Ele? O Criador sempre chegaria atrasado – o que não é o caso.
Como se vê, “lei divina e lei natural são a mesma coisa”. Estudar o Evangelho e os elementos da tabela periódica é o mesmo que estudar Deus. Estamos mergulhados no Fluído Cósmico Universal – a matéria-prima do pensamento divino, segundo André Luiz – e Nele vivemos e nos movemos, como peixes no oceano (Paulo de Tarso).
Fica a pergunta: por que tanta intolerância se a solidariedade é um impulso da Natureza, e a matéria, transitória, já dá indícios da vida extrafísica?
domingo, 5 de abril de 2015
O Evangelho é trabalho com mãos próprias
Atormentado pelas
aparentes derrotas da vida, o homem maldiz a própria sorte, nem que seja no
primeiro lampejo do pensamento, ato contínuo à apresentação de qualquer
problema, novo ou velho. A atitude viciada, apesar do fator de desequilíbrio, é
normalíssima se levado em conta o estágio dos espíritos encarnados na Terra.
Por hora, enamoramos a fé que nos impulsiona às conquistas de títulos
acadêmicos, honrarias diplomáticas, glórias industriais e aplausos midiáticos;
todavia, a fé de origem divina, capaz de produzir pérolas da caridade,
conhecemo-la, tão-somente, através de flertes.
Sentindo-se traída pelo destino, a criatura
ignora a árvore frondosa, da qual sempre se alimentou, para reclamar, aos céus,
do primeiro fruto ruim que acaba de colher. Por isso, exorta-nos Emmanuel a
observar "as vozes inarticuladas da vida", cujas mensagens sublimares
são recitadas, a cada milésimo, pari
passo, ao relógio incansável da Natureza. Todos os elementos da criação
infinita (no espaço ou na Terra) dão exemplo de vida, pois cada um, em modo
particular, entoa o versículo evangélico, que os corações do mundo ainda não
compreenderam: "Eu não vim para ser servido, mas para servir"(Jesus).
Esperando uma salvação,
de fora para dentro, o homem põe, novamente, o peso do madeiro da cruz sobre os
ombros do Cristo e nega-se ao serviço de elevação da alma. O religioso assim
age por acreditar que foi criado sob o rótulo do pecado e há 2015 anos,
Jesus o redimiu de algo que o homem – da atualidade – não poderia ter culpa.
Daí, muitos cristãos, sob os auspícios do dogma, condenam a assertiva:
"fora da caridade, não há salvação" e fazem do Evangelho um artigo
qualquer, sem notar que o documento divino, de tão fundamental, foi assinado
pelo autor com o seu próprio sangue. Em sua humildade celestial, o Notável Rabi
da Galiléia pediu aos seus discípulos a divulgação da Boa Nova, e não, que
saíssem, pelas vielas da vida, exortando o sofrimento do calvário. Ao ser
perguntado pelos fariseus, quando viria o Reino de Deus, Jesus os respondeu -
"O Reino de Deus não vem de modo visível (Lucas. 17:21), nem lhe dirão:
"Vede aqui ou ali, pois o Reino de Deus está dentro de vós (Lucas. 17:22).
Os fariseus, doutos da linguagem
materialista, não concebiam uma mensagem puramente espiritual. As parábolas do
Cristo careciam, para eles, de argamassa a
fim de que pudessem juntar as pedras e inaugurar a fortaleza divina; o recado,
de tão sutil, porém, passou despercebido pelos corações, conclamados a edificar
"no templo interno abandonado – a mais alta de todas as capelas".
(Auta de Souza, a poetisa do Evangelho, por Chico Xavier).
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